UNIÃO
Autoria de Gustavo - Centro de Acolhida ABECAL
Apenas mais uma família
Papai, Mamãe e a Filha
Unida por sagrados laços
De Deus e dos seres humanos
Que vive e faz planos
Fortalecida pelo abraço
Faz-se forte pela união
A Família-Modelo-Padrão
Indivíduos em comunhão
Mecanismo de precisão
Azeitado por religião
Os devotos de Virgem Maria
Preparam-se pra grande festa
O culto ao Deus-Dinheiro
A benção de carros e donos
Pra não sofrerem de abandono
E trafegarem em harmonia
Por longa estrada que resta
Obra de Deus-Engenheiro
O padre no alto-falante
Ora de forma vibrante
A família emocionada
Vê o padre na calçada
O porta-voz do Divino
Protegendo seu Destino
Selando-o com água benta
O ladrão e a ferramenta
De boca e ira sedenta
Aguarda-os no outro farol
A ferramenta brilha ao sol
Ponto Quarenta niquelada
É Lúcifer e sua espada
O carro, que era união
Chamou indevida atenção
Três palavras, breve oração
Três tiros, execução
Unida viveu a família
Eternamente está unida
Estirada na avenida
Um cão monta vigília
calendário
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Troca de Olhar
TROCA DE OLHAR
Texto de Gustavo - centro de acollhida ABECAL
Um “três-oitão” treme.
À frente, um pai de família, “marmita”. Atrás, um subproduto da sociedade de consumo, enjeitado pela mãe e pela pátria
Um, cansado, estressado por mais um dia no escritório, voltando para sua família. Outro, magro de fome e de “pedra”, recém-saído do Carandiru, cansado de viver, buscando mais um pega e talvez uma coxinha e um daqueles ovos coloridos de boteco.
O vidro do Subaru serve como fronteira entre dois Universos totalmente diferentes, duas realidades distintas que correm paralelas e só se cruzam em assaltos ou nos “Criança Esperança” da vida.
O ex-detento bateu com o cano do revólver no vidro. No instante de um segundo antes do anúncio do assalto, os olhares se encontraram.
E houve a comunicação, a comunicação da dor.
Um, com os abusos físicos, mentais e espirituais dar parte de uma família totalmente desestruturada: da polícia: dos colegas da escola pública, que freqüentara até “desandar” na “pedra”; do preconceito social e da propaganda do “Compre-Compre, Tenha-Tenha”.
O outro, com os abusos físicos, mentais e espirituais da parte de uma família centrada no material e nas aparências, dominada por um pai extremamente rigoroso, com o firme propósito de que seu pimpolho fosse um industrial tão eficiente quanto ele o era; da competição doentia nas escolas e faculdades por “status”.
Tinham rótulos diferentes, mas conteúdo semelhante. Dor e Solidão.
Solidão na empresa, solidão no Carandiru; solidão no clube de campo, solidão no jogo do “Curingão”. Solitários na exclusão, seja por falta de grana, ou por excesso dela.
Houve a comunicação. O ex-detento começou a abaixar a arma, quando, do outro lado da rua, um pneu estourou.O estampido do estouro trouxe o instinto e o medo de volta.
Um tiro involuntário quebrou a comunicação dos olhares, o vidro do Subaru e o crânio do empresário.
Um solitário a menos no mundo, repousando sobre o volante. Outro solitário se afasta, arrastando sua solidão e a dor da falta de comunicação.
Texto de Gustavo - centro de acollhida ABECAL
Um “três-oitão” treme.
À frente, um pai de família, “marmita”. Atrás, um subproduto da sociedade de consumo, enjeitado pela mãe e pela pátria
Um, cansado, estressado por mais um dia no escritório, voltando para sua família. Outro, magro de fome e de “pedra”, recém-saído do Carandiru, cansado de viver, buscando mais um pega e talvez uma coxinha e um daqueles ovos coloridos de boteco.
O vidro do Subaru serve como fronteira entre dois Universos totalmente diferentes, duas realidades distintas que correm paralelas e só se cruzam em assaltos ou nos “Criança Esperança” da vida.
O ex-detento bateu com o cano do revólver no vidro. No instante de um segundo antes do anúncio do assalto, os olhares se encontraram.
E houve a comunicação, a comunicação da dor.
Um, com os abusos físicos, mentais e espirituais dar parte de uma família totalmente desestruturada: da polícia: dos colegas da escola pública, que freqüentara até “desandar” na “pedra”; do preconceito social e da propaganda do “Compre-Compre, Tenha-Tenha”.
O outro, com os abusos físicos, mentais e espirituais da parte de uma família centrada no material e nas aparências, dominada por um pai extremamente rigoroso, com o firme propósito de que seu pimpolho fosse um industrial tão eficiente quanto ele o era; da competição doentia nas escolas e faculdades por “status”.
Tinham rótulos diferentes, mas conteúdo semelhante. Dor e Solidão.
Solidão na empresa, solidão no Carandiru; solidão no clube de campo, solidão no jogo do “Curingão”. Solitários na exclusão, seja por falta de grana, ou por excesso dela.
Houve a comunicação. O ex-detento começou a abaixar a arma, quando, do outro lado da rua, um pneu estourou.O estampido do estouro trouxe o instinto e o medo de volta.
Um tiro involuntário quebrou a comunicação dos olhares, o vidro do Subaru e o crânio do empresário.
Um solitário a menos no mundo, repousando sobre o volante. Outro solitário se afasta, arrastando sua solidão e a dor da falta de comunicação.
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Poesia de GUSTAVO S NASCIMENTO
VIDA INDIGENTE
Ninguém vê de onde vem essa gente
Que vem das ruas, de bares, de ruínas de lares
Uma gente opaca vivendo a vida indigente.
Nem se importam com pessoas, amores, lugares.
Na boca a oração, na mente a extrema-unção
No refeitório um exército de mortos-vivos,
Tentam encontrar no viver uma razão,
Sem sucesso vivem a vida sem objetivo.
Mais um dia de drogas e cachaça
Outro pedaço de tempo jogado fora,
Alguém ajoelha, roga e não acha
Solução para a esperança que foi embora.
São pessoas sem rosto, sem nome
Que dividem o quarto, a mesa e corpo com fome
Nem disfarçam querer terminar a cada momento
São criaturas de um mundo sem nexo
Assim como sem sentido tornam-se suas mentes
Que só reagem à comida, bebida e sexo
A multidão que não vive, sobrevive, simplesmente.
Que vem das ruas, de bares, de ruínas de lares
Uma gente opaca vivendo a vida indigente.
Nem se importam com pessoas, amores, lugares.
Na boca a oração, na mente a extrema-unção
No refeitório um exército de mortos-vivos,
Tentam encontrar no viver uma razão,
Sem sucesso vivem a vida sem objetivo.
Mais um dia de drogas e cachaça
Outro pedaço de tempo jogado fora,
Alguém ajoelha, roga e não acha
Solução para a esperança que foi embora.
São pessoas sem rosto, sem nome
Que dividem o quarto, a mesa e corpo com fome
Nem disfarçam querer terminar a cada momento
São criaturas de um mundo sem nexo
Assim como sem sentido tornam-se suas mentes
Que só reagem à comida, bebida e sexo
A multidão que não vive, sobrevive, simplesmente.
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Poemas , poesias, pensamentos, divagações....

A CANETA E A SERINGA
A história vai triste e sombria
A princesa perdeu seu reino e seus entes
Perdida emm si mesma em sonhos dementes
A mente resiste mas segue vazia
Mais inspiração em busca do Nirvana
Outra maneira de ver o mundo
Almejando o calor que envolve e emana
Uma busca de um sentimento profundo
A princesa não tem Deus , nem Futuro
E swe esconde por trás do muro
Palpitando o coração não mais puro
A inspiração bate e ela decola
A caneta escreve o nada em história
Vasculha, procura em toda memória
De uma vida perdida na escola
Seus olhos se fixamm no espaço
espaço sempre almejado
A cabeça caindo do lado
A seringa espetada no braço.
Gustavo dos Santos Nascimento
LÁGRIMAS
De tanto clamar por amor, minha voz, se calou.
Levado pela correnteza de minhas lágrimas perdidas ,nas margens do seu rosto,
também se perdiam sentimentos.
Foi um longo tempo e muitos lugares.
Então, jurei pelas lágrimas e com minha voz, não mais clamar por amor.
Do amor nada restou e com as lágrimas , se foi...
A história vai triste e sombria
A princesa perdeu seu reino e seus entes
Perdida emm si mesma em sonhos dementes
A mente resiste mas segue vazia
Mais inspiração em busca do Nirvana
Outra maneira de ver o mundo
Almejando o calor que envolve e emana
Uma busca de um sentimento profundo
A princesa não tem Deus , nem Futuro
E swe esconde por trás do muro
Palpitando o coração não mais puro
A inspiração bate e ela decola
A caneta escreve o nada em história
Vasculha, procura em toda memória
De uma vida perdida na escola
Seus olhos se fixamm no espaço
espaço sempre almejado
A cabeça caindo do lado
A seringa espetada no braço.
Gustavo dos Santos Nascimento
LÁGRIMAS
De tanto clamar por amor, minha voz, se calou.
Levado pela correnteza de minhas lágrimas perdidas ,nas margens do seu rosto,
também se perdiam sentimentos.
Foi um longo tempo e muitos lugares.
Então, jurei pelas lágrimas e com minha voz, não mais clamar por amor.
Do amor nada restou e com as lágrimas , se foi...

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Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas. Eduardo Galeano
O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martim Luther King
"É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar por haver apenas compreendido".
Kahlil Gilbran.
A felicidade de grandes Homens consiste em levar amor e solidariedade a quem necessita.
Walyson Garrett

